10 curiosidades sobre o Tour de France

  • O recorde do Tour não é de Lance Armstrong: suas sete vitórias foram anuladas. Jacques Anquetil, Eddy Merckx, Bernard Hinault e Miguel Induráin – o único a vencer consecutivamente – são os únicos com 5 vitórias.
  • O piloto com mais vitórias em etapas continua sendo Eddy Merckx com 34. Mark Cavendish segue com 30.
  • O Tour de France tem 114 anos de história, mas 2020 é a edição 107.  O motivo são as duas guerras mundiais, que interromperam a corrida entre 1914 e 1919, primeiro; e 1940 e 1946, posteriormente.
  • A camisa amarela tem um motivo. Assim como a camisa rosa do Giro da Itália se deve à cor tradicional do jornal La Gazzetta dello Sport, o amarelo do Tour corresponde ao da L´Auto, publicação que criou a corrida. Foi uma estratégia publicitária.
  • Não há Tour feminino. Embora a grande maioria das corridas de ciclismo hoje tenha seu equivalente feminino, a maior de todas não tem. Existiu na década de 1980, mas o projeto foi abandonado. Um erro que a UCI tentará corrigir mais cedo ou mais tarde, parece que até 2022.
  • A corrida é seguida por milhões de pessoas em 190 países ao redor do mundo. É de longe a prova de ciclismo mais seguida e coberta do mundo e um evento esportivo de referência mundial.
  • O mais jovem vencedor do Tour de France foi Henri Comet em 1904, com 19 anos. Nesse mesmo ano, o ciclista mais velho a correr o Tour de France foi Henri Paret, com 50 anos.
  • Sete espanhóis venceram o Tour de France: Federico Martín Bahamontes, Luis Ocaña, Perico Delgado, Miguel Induráin, Óscar Pereiro, Carlos Sastre e Alberto Contador.
  • A França é o país com mais vitórias (36), mas a última data de 1985. A Bélgica vem depois, com 18 vitórias, e a Espanha tem 12.
  • O leãozinho de pelúcia dado aos ganhadores da camisa amarela veio do banco Credit Lyonnais (agora LCL), que patrocina a camisa amarela do Tour. O leão é a imagem do banco, que é da cidade de Lyon. Em 1987, esse patrocinador decidiu incluir seu logotipo na rodada de gala, e achou que uma boa maneira de fazer isso era dar ao camisa amarela um pequeno leão de pelúcia.
© Le tour

Ciclismo Vintage

Pouco tempo atrás realizei uma cicloviagem em que assisti a décima oitava etapa do Tour de France no Alpe d’Huez (você pôde acompanhar essa história na nossa edição de outubro). Eu comecei e finalizei essa viagem pela Itália, onde muito mais do que visitar museus, posso dizer que vivi o ciclismo vintage.

© JB Carvalho

Comecei pelo Lago di Como e subi a tradicional Madonna Del Ghisallo. Esta subida sempre faz parte do Giro da Lombardia e eventualmente é visitada pelo Giro d’Italia. Lá no alto, em seu belvedere no pequeno município de Magreglio está a igreja da Madonna Del Ghisallo (padroeira dos ciclistas) com um pequeno museu muito charmoso em seu interior.

Vizinho à igreja se encontra o Museo Del Ciclismo, com algumas raridades surpreendentes. É muito interessante, por exemplo, a maior coleção de Maglia Rosa do mundo, com cinquenta exemplares.

© JB Carvalho

Ainda nas redondezas, a mais ou menos 200 metros do belvedere, encontra-se a Ghisallo Wooden Rims, uma pequena fábrica familiar artesanal que já está na terceira geração. A matéria-prima para seus produtos é a madeira, um tipo especial original da Eslovênia que em italiano se chama Faggio. Entre outras coisas eles fabricam aros de madeira para pneu tubular e Clincher. Tive uma verdadeira aula com o mestre Giovanni Cermenati, que mostrou o passo a passo da fabricação de um aro. São cinco lâminas de madeira cortadas em cuia e encaixadas ao contrário numa forma com cola; depois é trabalhado o interior e na sequência uma espécie de balanceamento seguido de furação, para finalizar com verniz. Cada peça é única!

© JB Carvalho

Entre outras coisas eles fabricam aros de madeira para pneu tubular e Clincher… cada peça é única!

Depois de rodar vários quilômetros e já finalizando minha viagem, passei na cidade de Cosseria, região da Liguria, a convite do amigo Luciano Berruti, que ali mantém o Museo della Bicicletta. Este cidadão é o ciclismo vintage em pessoa, e ficar hospedado em sua casa significou mergulhar nesse mundo completamente.

© JB Carvalho

Em seu museu há várias raridades, bikes que correram as primeiras grandes voltas, camisas de vários heróis do ciclismo como Jacques Anquetil e Gino Bartali, tudo muito organizado, mas nada se compara ao conhecimento de Berruti. O homem sabe muito e cada conversa era uma aula. Fiquei dois dias em sua residência, que pode ser considerado outro museu onde tudo é impressionante. Ele tem uma sala com uma vitrine só com miudezas como, por exemplo, um joguinho com miniciclistas como se estivessem num Giro, feito de jornal, que era um brinde do jornal Gazetta dello Sport para as crianças no Giro d’Italia de 1965. Jornais do começo do século passado, figurinhas de coleção com a foto dos corredores dos anos 1930 e 1940 são outras peças que lá estão. Ele também tem uma oficina com 100 anos de idade. É um lugar onde poucos têm acesso, com ferramentas antigas e muitas curiosidades.

© JB Carvalho

Conheci Luciano Berruti em 2011 no Colle Delle Finestre durante a etapa rainha do Giro d’Italia, pois esta figura mítica do ciclismo vintage frequenta os principais eventos ciclísticos e grandes voltas, sempre com uma bicicleta centenária e trajes de época, praticamente uma celebridade. Ele é porta- voz da L’Eroica, tradicional corrida para bicicletas de época em estradas de terra na região da Toscana.

© JB Carvalho

Em seu museu há várias raridades, bikes que correram as primeiras grandes voltas, camisas de vários heróis do ciclismo

Site dos locais visitados:

www.museociclismo.it
Madonna Del Ghisallo
www.cerchiinlegnognisallo.com Ghisallo Wooden Rims aros de madeira

www.veloretro.it
Museo della Bicicletta – Luciano Berruti

Parceiros:
Cardoso Cycles
www.cardosocycles.com

Anderson Bicicletas
www.andersonbicicletas.com.br

Shimano Latin America
Http://bike.shimano.com.br

Dádiva Distribuidora
www.dadiva.com.br

ASW Racing
www.asw.com.br

© JB Carvalho

Estudo explica paixão de homens de meia idade pelo ciclismo

Uma pesquisa da Universidade East London, com estudo publicado no Journal Qualitative Research in Sport, Exercise and Health, examinou mais a fundo o que leva homens de meia idade a pedalar, e mostrou que a causa tem mais a ver com saúde física e mental do que com crise de meia idade. Ao entrevistar um grupo de ciclistas homens entre 35 e 50 anos que pedalavam rotineiramente por estradas afastadas do centro, os pesquisadores concluíram que atividades físicas realizadas em ambientes naturais causam efeitos psicológicos muito mais positivos do que seus equivalentes realizados em ambientes internos. Para o estudo, os pesquisadores fizeram análises psicológicas profundas em 11 indivíduos classificados como ciclistas recreacionais sérios, que pedalam há pelo menos 2 anos com mais de uma hora semanal de pedal “na natureza”.

© Getty Images

Segundo os pesquisadores, os ciclistas puderam ser divididos em três grupos principais: domínio e prazeres descomplicados (desafios com subidas duras e percursos longos), meu lugar de fuga e rejuvenescimento (os que pedalam para recarregar as energias observando as belas paisagens) e, por último, sozinho mas conectado (os que pedalam em grupo onde não existe pressão para conversar, mas com possibilidades de contato social frequentes).

Para os pesquisadores, a pesquisa refuta a ideia que muitos têm de ciclistas de meia idade, geralmente associados a homens que tentam de todas as formas negar a passagem do tempo.

Por que os “pneus” esvaziam quando a bicicleta fica parada algum tempo?

Alguns leitores pediram para explicar o motivo de um verdadeiro “mistério”: por que os “pneus” da bicicleta esvaziam quando ela fica parada algum tempo? Isto, mesmo depois da avaliação de um profissional atestando que não há furos na câmara de ar e tampouco vazamento nas válvulas. Então, o que acontece?

Como todo material sintético, de forma simplória, a borracha é composta de diversos tipos de átomos, que por sua vez combinam-se em moléculas para que por meio de processo industrial seja produzida a câmara de ar. O intuito da engenharia é combinar as características previstas na concepção deste tipo particular de borracha: a elasticidade, a resiliência e a principal, a estanqueidade.

Porém, nem sempre estas ligações físico-químicas têm o resultado esperado no processo fabril, e algumas marcas e/ou lotes não conseguem aprisionar o ar com eficiência.

Em outros casos, a borracha ao longo do tempo perde suas capacidades e surgem poros invisíveis a olho nu, que permitem a passagem de ar muito lentamente. Esta validade também é variável de acordo com a idade, marca, procedência, lote, espessura, qualidade da matéria-prima e qualidade do processo. Quando isto acontece, diagnosticamos como “câmara porosa” e somente a substituição resolve o problema.

Este fenômeno pode ser facilmente observado, por exemplo, em balões (bexigas) de festa. Quem nunca deixou para o dia seguinte a retirada dos balões e percebeu que estavam murchos? Os balões são descartáveis e por isso o fabricante não se preocupa na sua eficiência ao longo do tempo. Você poderá encher, fechar bem e testar na água. Não verá a formação de bolhas, contudo, o ar escapará mesmo assim.

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