Por que os “pneus” esvaziam quando a bicicleta fica parada algum tempo?

Alguns leitores pediram para explicar o motivo de um verdadeiro “mistério”: por que os “pneus” da bicicleta esvaziam quando ela fica parada algum tempo? Isto, mesmo depois da avaliação de um profissional atestando que não há furos na câmara de ar e tampouco vazamento nas válvulas. Então, o que acontece?

Como todo material sintético, de forma simplória, a borracha é composta de diversos tipos de átomos, que por sua vez combinam-se em moléculas para que por meio de processo industrial seja produzida a câmara de ar. O intuito da engenharia é combinar as características previstas na concepção deste tipo particular de borracha: a elasticidade, a resiliência e a principal, a estanqueidade.

Porém, nem sempre estas ligações físico-químicas têm o resultado esperado no processo fabril, e algumas marcas e/ou lotes não conseguem aprisionar o ar com eficiência.

Em outros casos, a borracha ao longo do tempo perde suas capacidades e surgem poros invisíveis a olho nu, que permitem a passagem de ar muito lentamente. Esta validade também é variável de acordo com a idade, marca, procedência, lote, espessura, qualidade da matéria-prima e qualidade do processo. Quando isto acontece, diagnosticamos como “câmara porosa” e somente a substituição resolve o problema.

Este fenômeno pode ser facilmente observado, por exemplo, em balões (bexigas) de festa. Quem nunca deixou para o dia seguinte a retirada dos balões e percebeu que estavam murchos? Os balões são descartáveis e por isso o fabricante não se preocupa na sua eficiência ao longo do tempo. Você poderá encher, fechar bem e testar na água. Não verá a formação de bolhas, contudo, o ar escapará mesmo assim.

© molekuul_be / shutterstock

Bicicleta elétrica e cicloturismo: Isso combina?

O mestre Antonio Olinto conceitua cicloturismo da seguinte forma: “Cicloturismo nada mais é que fazer turismo utilizando como veículo a bicicleta ou viajar de bicicleta. Minha concepção de cicloturismo está profundamente ligada com minha experiência de vida e uma viagem de três anos e meio com bicicleta onde percorri 46.620 km em 34 países de quatro continentes”.

Ele ainda explica que uma característica básica do cicloturismo é percorrer longas distâncias, uma marca registrada do cicloturista é a carga na bicicleta, e há ainda uma mudança primordial na concepção do exercício físico, já que o cicloturista não procura recordes ou grandes velocidades, mas sim recreação e conhecimento.

Tomando por base as definições acima, seria possível incluirmos a bicicleta elétrica equiparada à bicicleta convencional, sem descaracterizar o conceito de cicloturismo?

Todo cicloturista que se preze vai afirmar que pedalar é uma fonte de grande prazer para ele. Mas nem todas as pessoas, em todos os lugares, são capazes de viajar com uma bicicleta, seja pela condição física ou até por fatores psicológicos, como o sentimento de incapacidade, seja por causas naturais, como muitos aclives ou ventos fortes.

Seria possível, com uma bicicleta elétrica, dar a oportunidade a essas pessoas de experimentar o cicloturismo?

A discussão, ao final, não é sobre substituir o ato de pedalar; é sobre fomentar a bicicleta e ampliar o alcance da experiência do cicloturismo.

Em agosto de 2013 (edição 31), publicamos como matéria de capa a viagem do pesquisador holandês Gijs Stevers, que percorreu 20 mil quilômetros do extremo norte europeu, em Cabo Norte, Noruega, até o extremo sul da África, em Cabo da Boa Esperança, com uma bicicleta elétrica. Sua jornada teve como propósito conhecer iniciativas em prol da energia renovável.

Perfeitamente em sintonia com este tema, Gijs afirmou à época: “eu sei que a bicicleta elétrica é menos sustentável do que uma bicicleta normal, e que eu não pude carregar sua bateria apenas usando energia renovável ao longo da viagem. No entanto, ela ainda é muito mais sustentável que qualquer outro meio de transporte. Poderia ter feito a viagem de moto, carro, transporte público, mas essas opções deixariam uma pegada maior no meio ambiente”.

Para ilustrar, ele afirmou que após a viagem instalou 16 painéis solares na casa de seus parentes e em duas semanas a instalação produziu a mesma quantidade de energia consumida pela e-bike nos 10 meses de viagem. Por contar com o auxílio elétrico, Gijs pôde transportar uma bagagem mais pesada, com cerca de 70 kg, um verdadeiro exagero para cicloturistas.

Na edição 55 dessa revista, Ruben Wanderley Filho, do grupo Os Dinossauros, contou que na travessia de 375 km que realizaram pelas Higlands Escocesas, alguns integrantes alugaram mountain bikes com assistência elétrica, as chamadas E-MTBs.

Ele conta que “as mountain bikes elétricas são hoje uma febre na Europa, principalmente para quem já atingiu uma certa idade, como é o caso da maioria do grupo que foi às Higlands, em torno dos 60 anos”. As bicicletas elétricas têm se tornando uma tendência, especialmente para casais e pessoas com diferentes idades, por possibilitar a equalização do ritmo da pedalada.

Segundo Ruben, é ilusão achar que a aventura perde importância por contar com o auxílio elétrico. Nas Higlands, por exemplo, o grupo de Ruben enfrentou muitas valas formadas pelo escoamento do degelo com pedras grandes e soltas, exigindo sempre aceleração extra para ultrapassá-las.

“O mais importante é curtir e se divertir nas trilhas”, afirma. Para ele, que estava fotografando a viagem, a E-MTB representou mais uma vantagem: já que o ninguém gosta de ficar parando para fotos, o auxílio elétrico permite uma retomada rápida para alcançar os demais.

Se você torceu o nariz tentando argumentar que bicicleta elétrica não é bicicleta, pense em como Melissa, Ruben, Gijs e tantos outros se sentiram ao viajar com suas bicicletas elétricas. Certamente, eles atraíram a curiosidade das pessoas, como é comum aos cicloturistas. Aproveitaram o caminho de uma forma que não seria possível como nenhum outro meio de transporte. Provaram da introspecção e do autoconhecimento que o cicloturismo oferece. E fizeram isso de uma maneira sustentável.

Alguns deles não teriam conseguido sem o auxílio elétrico, e essa característica inclusiva da e-bike é um complemento a este veículo mágico que se chama bicicleta.

 

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Serras e montanhas de tirar o fôlego

Serras e montanhas são uma preferência quase unânime entre os ciclistas. Se não para encarar o desafio de bicicleta, ao menos, para curtir o visual caprichosamente desenhado pela natureza – com uma mãozinha humana para a construção dos caminhos. Conheça estradas incríveis em montanhas e serras de tirar o fôlego! Qual delas você encararia?

 

Brasil – Serra do Rio do Rastro

Entre Lauro Müller e Bom Jardim da Serra – Santa Catarina
12 km
1.220 m de ganho altimétrico (Sai de 220 m e vai até 1.420 m de altitude)
284 curvas
© Jonatha Junge

Na década de 1980, um desafio à engenharia de Santa Catarina foi lançado: pavimentar uma antiga picada de tropeiros que cortava um grande cânion e torná-la melhor transitável para carros, ônibus e caminhões. Para garantir aderência aos pneus em caso de gelo, a pista teria que ser construída em concreto de cimento, não em asfalto. Sobre o leito de chão batido, foram colocadas 2.160 placas de concreto de 6 m x 3 m, com 30 cm de espessura e fissuras iguais às de pistas de aeroportos. A construção durou dois anos, de novembro de 1984 a novembro de 1986.

América – Caminho dos Yungas, a Estrada da Morte

Entre La Paz e Coroico – Bolívia
64 km
3.600 m de altitude (Sai de 1.000 m até 4.600 m)
Centenas de curvas

Em 1995, o Banco Interamericano de Desenvolvimento considerou o Caminho dos Yungas como a estrada mais perigosa do mundo. Com uma média de 209 acidentes e 96 mortes ao ano, a estrada tem cachoeiras que deságuam no percurso, pista estreita, de três metros em alguns trechos, rotineiramente neblina, e apenas 20 km asfaltados, o restante de terra e cascalho, tudo isto à beira de um precipício sem guard-rail. Boa parte da Estrada da Morte, como ficou conhecido o caminho, foi construída por prisioneiros paraguaios durante a Guerra do Chaco, na década de 1930. Os carros circulam em mão invertida, para que quem sobe tenha melhor visualização. Em 2007, o governo boliviano inaugurou um caminho alternativo.

Ásia – Estrada de Tian Men Shan

Província de Hunan, China
10 km
1.100 m de ganho altimétrico (Sai de 200 m e vai até 1.300 m)
99 curvas fechadas

Na província de Hunan, na China, está uma das estradas mais sinuosas do mundo, conhecida também como Tongtian Avenue, ou Avenida para o Céu. A Estrada de Tian Men Shan leva às escadas de Tian Men Mountain, com 999 degraus. A montanha tem um enorme buraco no meio e o único modo de chegar até lá é através da escadaria… Ou através do maior teleférico do mundo, com 7.455 metros!

Europa – Passo dello Stelvio

Itália
24,3 km (desde Prato)
1.808 m de ganho altimétrico (Sai de 950 m e vai até 2.758 m)
75 curvas em todo o passo

Uma das estradas mais altas a cruzar os Alpes Italianos, perto da fronteira com a Suíça, o Passo dello Stelvio foi construído entre 1820 e 1825. Esta é uma das principais montanhas do Giro d’Italia. A estrada só fica aberta durante o verão, e dependendo da época, paredes de gelo se acumulam em suas laterais. No Giro d’Italia 2014, etapa 16, houve uma confusão na descida do Passo dello Stelvio, pois algumas equipes entenderam que o trecho seria neutralizado em virtude das condições perigosas da pista com neve. Nairo Quintana manteve o ritmo forte, assumiu a liderança e venceu a competição.

África – Garganta do Dades

Marrocos
30 km (Desde Boumalne Dades)

O Vale (ou Garganta) do Dades situa-se no Alto Atlas, nas maiores altitudes do norte da África. A rodovia que leva até o vale é conhecida como a Estrada de Mil Kasbahs, com muitas curvas fechadas, acompanhando o Rio Dades e serpenteando aldeias e paisagens desérticas a cerca de 2.000 m de altitude. Kasbahs são construções rústicas feitas com barro, varas e troncos, parecidas com castelos e que, surpreendentemente, resistem ao tempo e sobrevivem por milhares de anos. Essas fortalezas eram construídas em lugares estratégicos do deserto, nas rotas comerciais que as caravanas percorriam.

Oceania – Skippers Road

Nova Zelândia
22 km

Skippers Road fica ao lado de Skippers Canyon, que tem uma queda vertical para o Rio Shotover, já conhecido como “o rio mais rico do mundo”. As locadoras de carro não permitem que seus veículos transitem nessa via estreita e sem acostamento, à beira de precipícios de mais de 180 metros. A via foi construída durante a corrida do ouro, quando uma trilha precária era o único acesso para a cidade de Skippers e os garimpos de Upper Shotover. Construída entre 1883 e 1890, a Skippers Road foi considerada uma grande obra de engenharia na época. Um trecho de 3 km da via envolveu perfuração manual e explosão de rochas para criar uma plataforma que fica 183 metros acima do Rio Shotover. Essa tarefa desafiadora exigiu operários para suspender cordas acima do rio. A estrada tem vista das Richardson Mountains a oeste e das Harris Mountains a leste.