10 curiosidades sobre o Tour de France

  • O recorde do Tour não é de Lance Armstrong: suas sete vitórias foram anuladas. Jacques Anquetil, Eddy Merckx, Bernard Hinault e Miguel Induráin – o único a vencer consecutivamente – são os únicos com 5 vitórias.
  • O piloto com mais vitórias em etapas continua sendo Eddy Merckx com 34. Mark Cavendish segue com 30.
  • O Tour de France tem 114 anos de história, mas 2020 é a edição 107.  O motivo são as duas guerras mundiais, que interromperam a corrida entre 1914 e 1919, primeiro; e 1940 e 1946, posteriormente.
  • A camisa amarela tem um motivo. Assim como a camisa rosa do Giro da Itália se deve à cor tradicional do jornal La Gazzetta dello Sport, o amarelo do Tour corresponde ao da L´Auto, publicação que criou a corrida. Foi uma estratégia publicitária.
  • Não há Tour feminino. Embora a grande maioria das corridas de ciclismo hoje tenha seu equivalente feminino, a maior de todas não tem. Existiu na década de 1980, mas o projeto foi abandonado. Um erro que a UCI tentará corrigir mais cedo ou mais tarde, parece que até 2022.
  • A corrida é seguida por milhões de pessoas em 190 países ao redor do mundo. É de longe a prova de ciclismo mais seguida e coberta do mundo e um evento esportivo de referência mundial.
  • O mais jovem vencedor do Tour de France foi Henri Comet em 1904, com 19 anos. Nesse mesmo ano, o ciclista mais velho a correr o Tour de France foi Henri Paret, com 50 anos.
  • Sete espanhóis venceram o Tour de France: Federico Martín Bahamontes, Luis Ocaña, Perico Delgado, Miguel Induráin, Óscar Pereiro, Carlos Sastre e Alberto Contador.
  • A França é o país com mais vitórias (36), mas a última data de 1985. A Bélgica vem depois, com 18 vitórias, e a Espanha tem 12.
  • O leãozinho de pelúcia dado aos ganhadores da camisa amarela veio do banco Credit Lyonnais (agora LCL), que patrocina a camisa amarela do Tour. O leão é a imagem do banco, que é da cidade de Lyon. Em 1987, esse patrocinador decidiu incluir seu logotipo na rodada de gala, e achou que uma boa maneira de fazer isso era dar ao camisa amarela um pequeno leão de pelúcia.
© Le tour

Até o Sheik de Dubai se rendeu à bicicleta

DUBAI ESTÁ PERTO DE SE TORNAR UMA CIDADE AMIGA DA BICICLETA

As estradas de Dubai passam a impressão de serem habitadas apenas por carrões, não é? Pura impressão. A maior cidade dos Emirados Árabes Unidos está caminhando para se tornar uma cidade apropriada para o uso da bicicleta.

O RTA (Autoridade de Estradas e Transporte) até agora já estabeleceu cerca de 425 km de ciclovias em várias áreas da cidade. E a previsão é um total de 647 km até 2025.

© Supplied

Hamdan bin Mohammed Al Maktoum, príncipe herdeiro de Dubai e presidente do Conselho Executivo de Dubai, emitiu, no início de agosto, diretrizes para transformar Dubai em uma cidade amiga do ciclismo. Ele exortou as autoridades “a adotarem as melhores práticas globais e medidas de proteção e segurança necessárias para desenvolver uma infraestrutura amigável para bicicletas”.

© Supplied

A diretiva também estava em consonância com os objetivos da Estratégia de Tráfego de Dubai 2021, que visa reduzir as fatalidades nas estradas, e parte da Estratégia de Energia dos Emirados Árabes Unidos 2050 visa alcançar uma redução de 16 por cento nas emissões de carbono até 2021.

“O número de passarelas construídas em Dubai aumentou de 13 em 2006 para 116 pontes este ano. A RTA planeja construir outras 34 passarelas de pedestres durante 2021-2026, o que elevará o número total de passarelas para 150”, observou Mattar Al Tayer, diretor-geral e presidente da diretoria executiva da RTA, em inspeção de ciclovias feita recentemente em Dubai.

“Isso é parte dos esforços da RTA para melhorar a segurança dos pedestres para reduzir as mortes de pedestres em 76,5% entre 2007 e 2019”, acrescentou.

O tenente general Abdullah Khalifa Al Marri, que também participou da inspeção, elogiou os esforços da RTA para atualizar a infraestrutura das pistas de ciclismo que estão alinhadas com os resultados do Laboratório de Inovação ‘Ciclismo é um Estilo de Vida’, realizado recentemente em Dubai.

Os participantes do evento comprometeram-se a trabalhar para melhorar os padrões de segurança, a percepção do uso da bicicleta, promover o uso de bicicletas de carga, desenvolver normas e políticas, criar espaços dedicados ao uso da bicicleta e promover uma cultura de aluguel de bicicletas. Eles também pediram o desenvolvimento de uma infraestrutura que não só garanta segurança, mas também proporcione aos ciclistas um ambiente adequado para a prática da atividade. Defenderam também a criação de travessias mais seguras e mais ciclovias, a disponibilização de equipamentos e serviços nas ciclovias e a organização de eventos e atividades para motivar o público a utilizar a bicicleta como meio de transporte.

No início de agosto, o sheik Mohammed Bin Rashid Al Maktoum (pai do Mohammed Bin Rashid Al Maktoum citado acima), que é primeiro-ministro e vice-presidente dos Emirados Árabes Unidos participou de um passeio de bicicleta em Dubai com um grupo de pessoas.

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(Foto: Dubai Media Office)
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(Foto: Dubai Media Office)
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(Foto: Dubai Media Office)
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(Foto: Dubai Media Office)

Ciclismo Vintage

Pouco tempo atrás realizei uma cicloviagem em que assisti a décima oitava etapa do Tour de France no Alpe d’Huez (você pôde acompanhar essa história na nossa edição de outubro). Eu comecei e finalizei essa viagem pela Itália, onde muito mais do que visitar museus, posso dizer que vivi o ciclismo vintage.

© JB Carvalho

Comecei pelo Lago di Como e subi a tradicional Madonna Del Ghisallo. Esta subida sempre faz parte do Giro da Lombardia e eventualmente é visitada pelo Giro d’Italia. Lá no alto, em seu belvedere no pequeno município de Magreglio está a igreja da Madonna Del Ghisallo (padroeira dos ciclistas) com um pequeno museu muito charmoso em seu interior.

Vizinho à igreja se encontra o Museo Del Ciclismo, com algumas raridades surpreendentes. É muito interessante, por exemplo, a maior coleção de Maglia Rosa do mundo, com cinquenta exemplares.

© JB Carvalho

Ainda nas redondezas, a mais ou menos 200 metros do belvedere, encontra-se a Ghisallo Wooden Rims, uma pequena fábrica familiar artesanal que já está na terceira geração. A matéria-prima para seus produtos é a madeira, um tipo especial original da Eslovênia que em italiano se chama Faggio. Entre outras coisas eles fabricam aros de madeira para pneu tubular e Clincher. Tive uma verdadeira aula com o mestre Giovanni Cermenati, que mostrou o passo a passo da fabricação de um aro. São cinco lâminas de madeira cortadas em cuia e encaixadas ao contrário numa forma com cola; depois é trabalhado o interior e na sequência uma espécie de balanceamento seguido de furação, para finalizar com verniz. Cada peça é única!

© JB Carvalho

Entre outras coisas eles fabricam aros de madeira para pneu tubular e Clincher… cada peça é única!

Depois de rodar vários quilômetros e já finalizando minha viagem, passei na cidade de Cosseria, região da Liguria, a convite do amigo Luciano Berruti, que ali mantém o Museo della Bicicletta. Este cidadão é o ciclismo vintage em pessoa, e ficar hospedado em sua casa significou mergulhar nesse mundo completamente.

© JB Carvalho

Em seu museu há várias raridades, bikes que correram as primeiras grandes voltas, camisas de vários heróis do ciclismo como Jacques Anquetil e Gino Bartali, tudo muito organizado, mas nada se compara ao conhecimento de Berruti. O homem sabe muito e cada conversa era uma aula. Fiquei dois dias em sua residência, que pode ser considerado outro museu onde tudo é impressionante. Ele tem uma sala com uma vitrine só com miudezas como, por exemplo, um joguinho com miniciclistas como se estivessem num Giro, feito de jornal, que era um brinde do jornal Gazetta dello Sport para as crianças no Giro d’Italia de 1965. Jornais do começo do século passado, figurinhas de coleção com a foto dos corredores dos anos 1930 e 1940 são outras peças que lá estão. Ele também tem uma oficina com 100 anos de idade. É um lugar onde poucos têm acesso, com ferramentas antigas e muitas curiosidades.

© JB Carvalho

Conheci Luciano Berruti em 2011 no Colle Delle Finestre durante a etapa rainha do Giro d’Italia, pois esta figura mítica do ciclismo vintage frequenta os principais eventos ciclísticos e grandes voltas, sempre com uma bicicleta centenária e trajes de época, praticamente uma celebridade. Ele é porta- voz da L’Eroica, tradicional corrida para bicicletas de época em estradas de terra na região da Toscana.

© JB Carvalho

Em seu museu há várias raridades, bikes que correram as primeiras grandes voltas, camisas de vários heróis do ciclismo

Site dos locais visitados:

www.museociclismo.it
Madonna Del Ghisallo
www.cerchiinlegnognisallo.com Ghisallo Wooden Rims aros de madeira

www.veloretro.it
Museo della Bicicletta – Luciano Berruti

Parceiros:
Cardoso Cycles
www.cardosocycles.com

Anderson Bicicletas
www.andersonbicicletas.com.br

Shimano Latin America
Http://bike.shimano.com.br

Dádiva Distribuidora
www.dadiva.com.br

ASW Racing
www.asw.com.br

© JB Carvalho

Pedalando em plena Floresta Amazônica

Trabalhar com bicicleta sempre foi muito prazeroso para mim. Hoje, como parte da equipe de treinamentos de vendas da Shimano, estou conhecendo lugares e pessoas incríveis, que só a bicicleta mesmo poderia proporcionar. Divido aqui uma dessas aventuras.

Em minha recente viagem a trabalho a Manaus, no Amazonas, tive a oportunidade de conhecer a maior floresta do mundo da melhor maneira que uma pessoa apaixonada por bikes pode querer: pedalando. Pois é, foi assim. Uma trilha incrível, irada, sensacional.

Emerson Miranda, ex–capitão do Exército com treinamento em ambiente de selva, convidou-me para pedalar em uma trilha recentemente descoberta por ele e seu grupo de pedal Junglebike. Saímos do hotel às 05 h 30 min para um café regional que seria o ponto de encontro para o pedal. Lá experimentei a famosa e tradicional tapioca de queijo coalho com tucumã, uma espécie de fruta que faz uma combinação perfeita com queijo. Depois, chegamos às margens do rio Tarumã Açu, pegamos nossas magrelas e seguimos a bordo de pequenos barcos movidos a motor de popa conhecidos naquela região como voadeiras.

Ao desembarcar na outra margem, já iniciamos a trilha em um singletrack que dá acesso a diversas palafitas, casas construídas sobre estacas de madeira, da comunidade existente ali. Em seguida pedalamos em uma estrada vicinal ampla e, como ainda era cedo, foi um pedal bem agradável de fazer. Depois pegamos uma estrada estreita coberta pela copa das árvores, seguida por um singletrack que dá acesso à primeira cachoeira onde paramos para nos refrescar e curtir um pouco o peso da água fazendo massagem em nossas costas. De lá encaramos uma subida no meio da floresta e mais uma vez passamos por um igarapé de água fresca e cristalina. Subidas impossíveis de pedalar são vencidas com a certeza de que o outro lado nos reserva singletracks que serão feitos em alta velocidade.

Tive a oportunidade de conhecer a maior floresta do mundo da melhor maneira que uma pessoa apaixonada por bikes pode querer: pedalando.

© Emerson Miranda

Visitamos também outra cachoeira em um local de preservação do INCRA – Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária. Ao nos aproximarmos da cachoeira, os singletracks foram ficando mais técnicos, com muitas raízes aflorando do solo. Passamos por árvores frondosas, aliás, outro obstáculo muito comum são árvores caídas devido ao processo de renovação da mata. Quando apenas um tronco impede a passagem, basta levantar a bike e passar por cima, mas quando a copa da árvore impede o caminho, aí é mais difícil e complicado seguir em frente.

© Emerson Miranda

Depois de cerca de três horas de pedal, hora da pausa para um lanche reforçado. No menu, o restante de uma tapioca pedida no café da manhã regional que antecede qualquer trilha. A região possui águas cristalinas nos igarapés, o que é incomum. Geralmente a coloração destas águas lembra um chá. Na verdade um verda- » deiro  chá de folhas secas do chão da floresta. A segunda cachoeira garantiu um banho relaxante e refrescante diante do calor amazônico intenso. A volta foi feita por uma pequena estrada vicinal, coberta pela copa das árvores e com o piso totalmente coberto de folhas, que compõem um visual fantástico. Trecho realmente muito bonito e agradável de se pedalar. Para fluir melhor pegamos um estradão de terra batida (conhecida pelos moradores como Ramal). Foi a parte mais dura, pois todo o percurso é castigado pelo sol.

© Emerson Miranda

Quase ao final do trecho fizemos uma parada para esperar um colega que quebrou a corrente. Vale ressaltar que todos do grupo Junglebike são muito receptivos e solícitos. Aguardamos na sombra de um belo jambeiro carregado. Nada melhor que relembrar os tempos de criança e saborear uma fruta fresquinha colhida diretamente do pé.

© Emerson Miranda

Na sequência final do trajeto, chegamos a outro trecho cujo percurso é um típico exemplo de ‘estrada abandonada’, onde encontramos até um automóvel, uma Rural deixada por lá. Depois de 45 km retornamos à mesma comunidade de onde tínhamos saído. Chegando lá, bastou ligar para os homens das voadeiras virem nos buscar. Cansados e com fome, nada melhor para finalizar a trilha do que saborear o tradicional peixe tambaqui assado na brasa.

Os músculos envolvidos nas fases da pedalagem

“A garota pedalava a bicicleta com grande desenvoltura”

Mover ou impulsionar o pedal ou os pedais (de máquinas, bicicleta, instrumentos musicais). Assim é definido o pedalar –  o gesto que define o ciclismo.

Quando estamos pedalando, fazemos isso como automático, nem paramos pra pensar nesse movimento, e sua importância. Dependendo de como você pedalar, fará mais esforço ou poupará energia quando precisar. Veja o que está envolvido fases de um giro de pedal.

As fases, o pedal, e os músculos envolvidos

Quando movimentamos o pedivela, no movimento central da bicicleta, criamos o movimento circular progressivo. Porém, nem todos são iguais e há um tipo de pedalada mais eficiente que outra. Você já ouviu falar em pedais de pistão e pedais redondos. O pedal de pistão é típico dos ciclistas que têm pedais sem clip (sapatilha e pedal de encaixe) e estão “pisando” nos pedais, somente quando o giro se dá na parte frontal do movimento. Todo o movimento traseiro é desperdiçado. É também o tipo de pedal que acontece quando pedalamos em pé na bicicleta. Já o pedal redondo é o mais otimizado, e é aquele, com clip, em que as duas pernas estão sempre fornecendo impulso em qualquer ponto do movimento circular. Para entendê-lo melhor, veja os desenhos abaixo:

© Projetopedal
© Projetopedal

Empurrão da fase 1

Exercemos força sobre o pedal para frente e para baixo e nosso quadríceps é responsável por transmitir a potência aos pedais.

Tração da fase 2

Quando o pé se aproxima do ponto mais baixo do pedal, a perna é esticada para começar a se retrair novamente. É aqui que gêmeos, isquiotibiais e glúteos entram em cena.

Elevação da fase 3

É aí que entra o pedal redondo. Essa fase é onde um pedal eficiente é diferente do comum. Quando o pé começa a subir novamente por trás, não devemos nos deixar levar pelo aperto do pedal oposto, mas sim puxar o pé para compensar os esforços. Nesta fase, são os músculos do quadril que fazem o trabalho.

Avanço da fase 4

Assim completamos o ciclo, terminamos de pegar o pedal por trás e começamos a empurrar para frente novamente.

© Sense Bike

Novo Painel de SCA

Os clientes cadastrados no sistema de SCA agora podem desfrutar desse novo modo de visualização dos produtos/chegadas desse painel.

O novo formato que mais voltado a listagem dos produtos, facilita a observação por completo e ainda conta com ordenamento por ordem crescente ou decrescente, seja de SKU, Nome de produto ou mesmo pela previsão de chegada.

Veja aqui:

Em caso de dúvida entre em contato com seu consultor.

1,3 milhão de britânicos compraram uma bicicleta durante a pandemia

COMO BEM DIZ O DITADO: QUANDO UMA PORTA SE FECHA, OUTRAS SE ABREM!

A peste fechou muitas portas, é verdade, e algumas de forma bem traumática. Por outro lado, outras portas estão se abrindo, e com perspectivas muito boas. Não é só o fato do mercado se reerguer, mas principalmente a humanidade se “erguer” de forma mais humanizada. Milhões de pessoas estão, finalmente, percebendo que a bicicleta pode ser uma grande ajuda neste soerguimento.

No mundo todo há uma verdadeira corrida às lojas de bicicleta. Veja o exemplo do Reino Unido.

Em questão de cerca de 3 meses, 1,3 milhão de britânicos compraram uma bicicleta nova. O governo do Reino Unido incentivou a população a evitar o transporte público, e as pessoas tiraram proveito das liberdades de exercício permitidas durante a pandemia.

As lojas de bicicletas receberam um impulso da pandemia de coronavírus, mantendo-se abertos durante o bloqueio depois de serem considerados negócios essenciais, com muitas lojas experimentando vendas disparadas e lutando para acompanhar a demanda.

“Como grande parte do Reino Unido trabalha em casa – 51% da população estava ativa no início de junho -, os consumidores economizaram em custos de viagem e muitos tiveram mais tempo para se exercitar e sem academia aberta para visitar, tornando a bicicleta nova uma opção atrativa”, disse Sofie Willmott, analista líder da GlobalData que compilou a pesquisa. Segundo a pesquisa, a maioria já pensava em comprar uma bicicleta e o bloqueio foi o empurrão que precisavam.

“Embora o mercado de bicicletas vê um aumento na demanda nesse período, impulsionado pelo bloqueio, há mais oportunidades para os varejistas se beneficiarem no futuro, já que os atuais proprietários de bicicletas podem optar por atualizarem suas magrelas, agora que reacenderam seu interesse no ciclismo”, finaliza Willmott.

Viva Bicicleta!

Loja de bicicletas em Londres (Getty)

CBC lança protocolo de retorno do Ciclismo

CBC LANÇA PROTOCOLO DE RETORNO AOS TREINAMENTOS E COMPETIÇÕES DO CICLISMO

Documento reúne orientações técnicas e recomendações para a retomada gradual das atividades a partir do controle da atual pandemia.

Seguindo mais uma vez as diretrizes de enfrentamento e controle da COVID-19, e empenhada em compartilhar o máximo de informações possíveis com toda a comunidade ciclística, a Confederação Brasileira de Ciclismo (CBC) elaborou o seu protocolo de retorno às atividades através do documento “Orientações e Recomendações para a Retomada do Ciclismo.

Apesar de ainda enfrentarmos um cenário desfavorável, seguimos confiantes à possibilidade de retorno às atividades, desde que sejam seguidas as determinações dos Órgãos de Saúde e também acatando as orientações das entidades de organização do esporte, e demais regulamentações Estaduais e Municipais.

O presidente da CBC, José Luiz Vasconcellos, comentou sobre a relevância de disponibilizar um documento com diretrizes a serem seguidas por todos os agentes do ciclismo nacional, principalmente os atletas e aficionados pela modalidade.

“Desde o início da atual pandemia, a CBC vem tomando todos os cuidados necessários e adotando medidas rigorosas de combate e controle do COVID-19. E uma das maiores preocupações está sendo compartilhar o máximo de informações possíveis com todos os envolvidos na modalidade. Desta Forma, elaboramos esse protocolo de retorno, que mesmo ainda dependendo do cenário evolutivo da doença, será muito importante para um retorno seguro e saudável”, destacou Vasconcellos.

Documento original:

Orientações e Recomendações para a Retomada do Ciclismo

Assessoria de Comunicação – CBC

Telefone: (61) 3585.1051 | (61) 9123.2218
E-mail: imprensa@cbc.esp.br 
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Ai que frio!!!

COMO A BICICLETA PODE AJUDAR A TRANSFORMAR OS PARÂMETROS PARA SENTIR O PRAZER DAS COISAS SIMPLES, COMO A DELÍCIA DE UM BANHO QUENTE DEPOIS DE UMA PEDALADA EM UM DIA FRIO.

Ao contrário de nossos amigos europeus, a chegada do inverno não é motivo de pesar. Vivemos em um país tropical e em várias regiões brasileiras o inverno é uma das estações mais agradáveis, pois o calor não é tão intenso e principalmente para quem vai viajar de bicicleta é ideal: chove pouco, os dias tem temperatura amena com céu azul e a noite esfria para que se possa dormir mais confortavelmente.

Morei dez anos em Curitiba, a capital mais fria do país. Com estações acentuadas ficava fascinado ao observar a diferença entre elas e posso dizer que não são muitos que gostam do frio.

Curitiba se transforma com o calor, as pessoas saem mais na rua, as moças usam menos roupa e parece que todos estão mais felizes. Observei o mesmo nos países europeus. Depois de passar o inverno todo encorujados dentro de confortáveis casas com calefação, no verão, meus amigos europeus queriam ficar o tempo todo fora de casa e aproveitar os longos períodos de claridade solar.

Analisando melhor percebi que meu fascínio estava ligado ao fato de ver e sentir o diferente. O europeu não compreendia por que eu queria passar o inverno pedalando pela Europa. Ora, pelo mesmo motivo que a estação mais concorrida de Gramado é o inverno: pessoas de todo país vão para lá na esperança de ver neve e ter uma experiência diferente.

© Rafaela Asprino

Todo ano a televisão faz a mesma matéria mostrando os sorrisos de turistas totalmente encapuzados brincando com a geada grossa que caiu na madrugada. As melhores matérias são aquelas onde o repórter entrevista um nordestino jogando bolas de neve. Claro, o sorriso dele é sempre mais brilhante, por razões óbvias.

O frio na viagem dá uma pitada a mais de aventura, pois agrega um desafio, um obstáculo extra e para quem gosta de ficar nas montanhas é uma constante. Mas mesmo quando tinha uma vida sedentária em Curitiba e ainda treinava para um dia poder viajar de bicicleta, sentia algo especial no frio que está além da preferência.

Quando acordava cedo no final de semana para treinar ficava o dia todo fora. Na região de Curitiba é comum que durante todo um dia a cor predominante seja o cinza, mas existe um ditado muito certo; “Névoa baixa, sol que racha”. Ou seja, na melhor das hipóteses começava o dia no frio e na névoa densa que tocando meu corpo transforma-se em gélidas gotículas. Em poucas horas o sol vinha finalmente reaquecer o corpo lentamente até chegar aos ossos. Logo a temperatura aumentava e tinha que parar para retirar as tantas roupas que me cobriam. À tarde o processo acontece ao reverso e voltava a me cobrir.

Lembro-me claramente de que quando treinava no final de semana, ao voltar para casa algo estava diferente. Tomava banho no mesmo local, com o mesmo chuveiro, sentava no mesmo sofá e preparava um jantar costumeiro, mas tudo parecia ter um sabor diferente, pois minha percepção mudava.

“SE TIVESSE OPTADO POR FICAR EM CASA, LOGO O CONFORTO DO MEU ACONCHEGANTE LAR SERIA COMO UMA PRISÃO QUE ME IMPÕE ATRAVÉS DE UMA PREGUIÇA CRÔNICA A IDEIA DE QUE ESTÁ FRIO LÁ FORA E NÃO É BOM PARA PEDALAR.”

© Rafaela Asprino

O frio do dia fazia com que a água quente do chuveiro se transformasse em uma carícia, uma massagem tirando a tensão da musculatura que involuntariamente tenta se aquecer pelo atrito da contração. O consumo de energia do exercício aumenta com a necessidade de aquecer o corpo e a fome amplia o paladar.

Vários músculos foram utilizados ao máximo, o ácido lático produzido me fazia sentir pequenas dores induzindo à imobilização enquanto meu organismo começa o lento trabalho de recuperar e aumentar a capacidade de todo o sistema. Para isto meu corpo entregava uma descarga de endorfina e sentia alegria no torpor de simplesmente ficar sentado em meu sofá.

Como é fácil perder a consciência das coisas. Os parâmetros do homem moderno têm sido tão confortáveis que perdemos a noção do que é realmente necessário para nosso contentamento. Nada melhor que trocar um pouco os parâmetros para voltar a sentir o prazer de coisas simples como sentar no sofá e ver um bom filme.

Se tivesse optado por ficar em casa, logo o conforto do meu aconchegante lar seria como uma prisão que me impõe através de uma preguiça crônica a ideia de que está frio lá fora e não é bom para pedalar. Ora, quem costuma viajar de bicicleta sabe que nunca chove o dia inteiro, nunca é frio o dia inteiro e sempre pode ficar mais quente enquanto estamos pedalando.

Pois são justamente as dificuldades enfrentadas durante o dia que fizeram aquele conforto me libertar ao invés de aprisionar, além de devolver sabor às coisas que já não era capaz de sentir.

Antes de começar meus treinamentos, no final do domingo, ao ouvir a música do Fantástico sabia que mais um fim de semana estava acabando. Lembrava-me de tudo o que queria fazer, mas não deu certo. Também vinha à mente as tantas coisas que me esperavam para serem resolvidas no escritório, acho que posso classificar meu sentimento como deprimente.

Quando comecei a treinar, nem a música do Fantástico conseguia me deprimir, pois o torpor da endorfina trazia a sensação de que, mesmo que não tivesse feito tudo que queria no final de semana, ganhara o dia com meu treino.

Você talvez nem goste de viajar de bicicleta, mas cada vez que encara um clima difícil com sua bicicleta o sentimento é igual. Quando volta para casa é como se tivesse ganhado o dia ao contrário de quando cede à preguiça e fica o dia todo enfurnado. A concentração de esforços nas dificuldades faz com que desconcentremos dos problemas do dia a dia de forma mais eficiente que quando nos dedicamos somente ao relaxamento puro e simples.

É incrível como surgem soluções durante as pedaladas, após um treino os problemas parecem menores ou mais simples. Na física, a inércia é uma propriedade da matéria que tende a mantê-la em seu estado, para vencê-la sempre é necessária alguma força. O ciclista sente isto todas as vezes que tem que arrancar e parar a bicicleta. Uma vez vencida a inércia do estático a tendência é que o corpo siga em movimento.

Da mesma forma, pode ser necessário um pouco de força no começo para pedalar no inverno, mas acredito que devemos sempre lembrar da importância de sairmos da zona de conforto, inclusive para poder apreciar seu valor.

© Rafaela Asprino

“QUEM COSTUMA VIAJAR DE BICICLETA SABE QUE NUNCA CHOVE O DIA INTEIRO, NUNCA É FRIO O DIA INTEIRO E SEMPRE PODE FICAR MAIS QUENTE ENQUANTO ESTAMOS PEDALANDO.”

Do ciclista ao cicloturista

 

Outro dia falamos sobre os encontros que tivemos com outros cicloturistas. Às vezes fico imaginando quais características nos fazem reconhecer um cicloturista. Claro que em Ladakh é fácil, mas como seria em nosso dia a dia?

Como comentei no outro artigo, os equipamentos podem mostrar um pouco da cultura e da personalidade do cicloturista. Algo que podemos perceber no Brasil é que muitos cicloturistas descendem do mountain bike, afinal, no geral, para viajar de bicicleta alguém terá que treinar e já estar capacitado a pedalar por horas e horas, ou seja, já existe um ciclista capacitado antes de um cicloturista de primeira viagem.

Baseando-se nos princípios de agilidade de uma competição, quem já se acostumou a usar uma mochila de hidratação começa sua primeira pequena viagem carregando todo o equipamento da mesma forma, ou seja, todo o peso extra é colocado no local onde o equilíbrio é mais comprometido. Além de aquecer e machucar as costas, o peso da mochila é integralmente transferido para o corpo, que por sua vez passa para o ponto onde fica apoiado na bicicleta, ou seja, a já tão sofrida parte “sentante” sofre mais ainda. Geralmente todo este sofrimento costuma ensinar rapidamente aos ciclistas que não é bom carregar nada nas costas.

Como em cada mudança existe sempre um coeficiente de rejeição, fica sempre algum resíduo do que era antes, que o ciclista ainda não quer deixar para trás. Na primeira viagem tem sempre alguém que quando comprou o quadro nem sabia que deveria ter pontos de fixação para futuramente colocar um bagageiro, ou pior, comprou um quadro com suspensão traseira que impede a fixação de bagageiro. De longe poderá reconhecer este cicloturista, pois seu bagageiro é pequeno e está preso no canote de selim. Já ouvi falar de muitos bagageiros destes que quebraram, no entanto, pode ser uma solução razoavelmente eficiente para quem viaja com carro de apoio ou em regiões de clima bom com facilidades pelo caminho, que suprime a necessidade de carregar muito equipamento.

Conforme aumenta o tamanho da viagem, aumenta a necessidade de carregar água e podemos ver surgir suportes de caramanholas extras por todos os lados ou outras formas alternativas de carregá-la.

Pode-se observar em um ciclista com o tempo de viagem a tendência de ir deixando os uniformes característicos de competições para usar roupas do dia a dia a fim de misturar-se melhor com a gente do caminho.

Muitos que viajam de bicicleta pela primeira vez tornam-se viciados logo na primeira dose. Começam a planejar novas viagens compulsivamente, assim como compram todo tipo de equipamento “necessário”.

Um mecânico hábil pode fazer furação em um quadro ou instalar um bagageiro de uma forma adaptada sem grandes prejuízos, desde que não seja muito solicitado em uma grande viagem.

Bem, agora com o bagageiro traseiro instalado, o ciclista já encontra mais espaço e confiança, logo instala um par de alforjes, que nada mais é que bolsas idênticas colocadas nos dois lados do bagageiro para ajudar no equilíbrio do conjunto e manter o peso da bagagem mais próximo do centro de gravidade da bicicleta, o ponto onde está o movimento central.

Será que já observou como são grandes os pratos em restaurante por quilo? Com um prato grande o faturamento aumenta, pois cobram por quilo e o cliente tem sempre a tendência de encher o prato seja qual for o tamanho, independente da fome. Da mesma forma, vendo aquele espaço vazio em cima do bagageiro, o cicloturista não resiste ao convite para preenchê-lo.

Alguns acham que o bagageiro traseiro é pouco e instalam um bagageiro sobre a roda dianteira, colocam um alforje e às vezes até algo mais na parte de cima. Isso sem falar na maravilhosa “bolsa de guidão”. Nada é mais característico em um cicloturista que uma bolsa de guidão, um verdadeiro símbolo, um sonho de consumo.

Ganhei minha primeira bolsa de um amigo espanhol em Pamplona. Muito básica, nada mais era que uma simples bolsa amarrada no guidão através de fitas, sem qualquer estrutura ou sustentação. Não importava, estava feliz com ela e pedalei até os Estados Unidos quando comprei uma de verdade, que está até hoje na bicicleta exposta no Museu da Bicicleta de Joinville.

A bolsa de guidão fica suspensa longe de qualquer parte rígida da bicicleta e mesmo que a bike chacoalhe, objetos delicados dentro dela estarão protegidos. Sua outra função deriva do poder que tem de ser rapidamente destacável da bicicleta. Costumo carregar nela documentos e dinheiro, mantendo-a sempre comigo. Nem sei quantas vezes fui reconhecido ou reconheci cicloturistas, mesmo sem bicicleta, simplesmente por levarem a tiracolo uma bolsa de guidão. É sempre uma festa, pois a gente cumprimenta na certeza, não há como errar, é mais certo do que ver uma marca de queimado de sol no meio da coxa.

Sem muita experiência, mesmo os melhores técnicos em planejamento costumam levar coisas a mais. Recebemos muitos e-mails de cicloturistas contando que superestimaram as necessidades da viagem quando carregaram a bicicleta. A Rafaela, antes de me conhecer, logo no segundo dia de viagem pelo Caminho da Fé, despachou quase todo seu equipamento de volta para casa, com alforje e tudo, manteve somente uma pequena mochila embrulhada em um plástico e presa no bagageiro.

Quando comecei a volta ao mundo, uma bicicleta cheia de bagagem me fascinava. Parecia que quanto mais bagagem maior seria a aventura. Pouco a pouco fui reduzindo o que carregava para um “somente o essencial”, mais “essencial” que antes. O tempo de viagem me mostrou necessidades diferentes das que eu imaginava e acabei chegando a nossa configuração atual. Para reduzir o equipamento, mais que uma busca de melhor eficiência nas pedaladas, faz parte do aprendizado maior que uma viagem de bicicleta pode dar, o desapego e a simplicidade. Às vezes o melhor é carregar isso ou aquilo a mais, nem que seja só por precaução. Entretanto, às vezes a evolução passa por um “deixar para trás”, por um “não possuir”, por um “tomar um risco” de não ter e perceber que nem faz falta. Às vezes, menos é mais. Tentamos, sempre que possível, trazer este aprendizado para nosso dia a dia fora das viagens.

A carga na bicicleta é a maneira pela qual os cicloturistas são reconhecidos, sem ela somos ciclistas normais. No dia que cheguei de bicicleta em Paris fui direto para a Torre Eiffel e cinco parisienses formaram uma roda para falar comigo, parecia uma coletiva de imprensa. No outro dia, sem carga, ninguém nem me cumprimentava pelas ruas da mesma cidade.
Como não há regras, não temos como saber em que “fase evolutiva” um cicloturista está. Será que ele errou no cálculo? Será que ele está indo para um lugar muito distante e difícil? Também pode ser um minimalista do tipo “roots”? Será que já passou por aqueles lugares que sonhou ir um dia?

Existe uma forma simples de saber. Basta ir até ele e perguntar. Este é o grande serviço que a bicicleta carregada faz, atrai as pessoas dos lugares para vir conversar com o viajante de uma forma especialmente compulsiva e carismática.

Se prestarmos atenção, em sua retórica reconhecemos o grau de conhecimento do cicloturista. Mais que os altos números dos quilômetros da viagem ou de países visitados, em suas histórias podemos perceber sua sabedoria. Mais que os feitos, busque os aprendizados que teve: é sempre gratificante parar para conversar com um cicloturista, pois ele tem experiências de vida para nos contar.

© Rafaela Asprino

Para viajar de bicicleta alguém terá que treinar e já estar capacitado a pedalar por horas e horas, ou seja, já existe um ciclista capacitado antes de um cicloturista de primeira viagem.


Do ciclista ao cicloturista

O ciclista mountain biker
Na eminência de um cicloturista geralmente há um ciclista capacitado: e quase sempre ele vem do mountain biking.

Bola nas costas
Na primeira cicloviagem, acostumado com a mochila de hidratação, o ciclista tende a levar todo o seu equipamento nas costas.

Pontos de fixação
Para transferir o equipamento das costas para a bike, o ciclista descobre que precisa de pontos de fixação. Se não houver, usa um bagageiro preso no canote do selim.

Mais água
Com o aumento das distâncias das viagens, surgem suportes de caramanholas extras por toda a bicicleta.

Novas roupas
As roupas de competição são substituídas por roupas cotidianas, para melhor inserção nas comunidades por onde passa.

Bagagem
Na empolgação o ciclista planeja várias viagens e aumenta a bagagem, instalando um par de alforjes traseiros e ocupando o espaço sobre o bagageiro.

Bagagem frontal
Depois, ele também instala um bagageiro sobre a roda dianteira e uma bolsa de guidão. O pensamento, nesse momento, é algo como: “quanto mais bagagem, maior a aventura”.

Menos é mais
Finalmente, o ciclista descobre a configuração ideal de bagagem para a sua viagem.

Desapego e simplicidade
Com esses dois princípios, sua bagagem reduz para somente o que é “essencial”, e assim ele consegue chegar a todos os lugares que sonhou.

Interação com as pessoas
Enquanto pedala, atrai de forma compulsiva e carismática pessoas interessadas em sua história e com elas compartilha sua experiência de vida.